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Paisagismo conecta natureza e bem-estar no Reserva Terra Roxa

A paisagem como parte da experiência de morar. Essa é a perspectiva que norteou o trabalho da Cenário Paisagismo no Reserva Terra Roxa e dá continuidade à série de entrevistas do blog da Zacaria com os profissionais que assinam o empreendimento.

Comandado pelas paisagistas Karla Lopez e Daniela Bastos, o escritório atua a partir de São Paulo e Madri, na Espanha, desenvolvendo projetos que integram natureza, arquitetura e vida cotidiana.

No Reserva Terra Roxa, a Cenário Paisagismo é responsável pelo projeto que conecta a arborização das vias, o parque linear, o lago, a mata preservada e as áreas de lazer em uma paisagem contínua. Indo muito além de compor os espaços, o paisagismo participada organização dos percursos, das áreas de convivência e da relação dos moradores com a natureza.

Nesta entrevista, Karla Lopez explica o papel do paisagismo no conceito de wellness, fala sobre a aplicação da biofilia aos projetos residenciais e apresenta as principais escolhas do trabalho desenvolvido para o Reserva Terra Roxa.

Qual é o papel do paisagismo no bem-estar cotidiano?

Karla Lopez — O paisagismo atua como conexão entre cidade e natureza, entre os espaços internos e externos, criando ambientes que acolhem, desaceleram e promovem bem-estar no cotidiano. Mais do que compor visualmente o empreendimento, ele estrutura experiências sensoriais capazes de transformar a relação das pessoas com o ambiente, especialmente quando se trata do lugar onde vivem.

Por meio do frescor, da umidade, do jogo de luz e sombras, das diferentes texturas e da presença vivada vegetação, o paisagismo cria espaços de permanência, contemplação, estimula a convivência e ao mesmo tempo a privacidade. Os percursos, as áreas livres e ambientes externos passam a contribuir com uma vivência mais integrada e equilibrada, promovendo qualidade de vida mesmo dentro da dinâmica urbana contemporânea.

O que diferencia um paisagismo estético de um paisagismo voltado ao bem-estar?

Karla Lopez — Um paisagismo voltado apenas à estética busca qualificar visualmente os espaços. Já um paisagismo pensado para o bem-estar considera a forma como as pessoas vivenciam esses ambientes ao longo do tempo, pela escolha dos volumes das espécies do jardim conforme a insolação, a segurança, pelo jogo de luz e sombra, pela capacidade de redirecionar o olhar aos pontos de interesse, pela identidade dos moradores com a flora.

Na Cenário, entendemos a paisagem como parte da experiência de habitar. Por isso, cada escolha, da vegetação aos percursos, das materialidades às áreas de permanência e lazer, busca criar atmosferas que acolhem e incentivam diferentes formas de uso e percepção do espaço. A integração entre elementos naturais e construídos promove conforto, privacidade e conexão com a natureza, fazendo com que o paisagismo deixe de ser apenas um pano de fundo e passe a atuar como elemento ativo da experiência cotidiana.

Como a biofilia aparece nos projetos da Cenário Paisagismo?

Karla Lopez — A biofilia aparece no nosso trabalho através da construção de espaços que estreitam a relação entre as pessoas e a natureza, mesmo diante das limitações da vida urbana contemporânea. Buscamos integrar vegetação, luz e materiais naturais à arquitetura, criando paisagens que despertam sensações de acolhimento, pertencimento e bem-estar.

Trabalhamos com espécies nativas brasileiras ou bem adaptadas, tentamos preservar o máximo da estrutura original do terreno e das árvores existentes e, acreditamos que as espécies podem contribuir memórias afetivas, para o microclima local, para estreitar a relação com o tempo e com a cultura.

Que experiências o paisagismo pode proporcionar no dia a dia?

Karla Lopez — Um bom projeto paisagístico transforma o espaço externo em extensão da experiência de morar. Ele estimula momentos de pausa, contemplação, convivência e circulação, criando uma relação mais sensível entre as pessoas, a arquitetura e a natureza.

Os caminhos, as camadas vegetais, as áreas de sombra e permanência e, as diferentes texturas da paisagem contribuem para experiências mais humanas e dinâmicas ao longo do dia. O paisagismo também cria mudanças de ritmo entre o dentro e o fora promovendo conforto, privacidade e bem-estar através de ambientes que acolhem diferentes formas de uso e apropriação.

Como essa visão foi aplicada ao Reserva Terra Roxa?

Karla Lopez — No Reserva Terra Roxa, o paisagismo foi pensado como elemento estruturador da experiência do empreendimento, conectando arquitetura, natureza e cotidiano através de uma paisagem contínua e integrada. Desde a relação com a cidade, o projeto busca criar espaços de transição entre o ritmo urbano e uma experiência mais desacelerada e sensorial.

A praça externa proposta junto ao empreendimento incorpora percursos de caminhada e ciclovia, ampliando a conexão entre os espaços públicos e o interior do loteamento. Internamente, a arborização das vias e o parque linear que abraça o empreendimento estruturamos percursos e reforçam a presença da natureza no cotidiano dos moradores. O paisagismo acompanha a implantação de forma fluida, criando diferentes camadas de contemplação, permanência e convivência ao longo do projeto.

No coração do empreendimento, a área de lazer foi concebida como um grande espaço de encontro com a paisagem, integrando lago, piscina, quadras esportivas, spa, academia, bosque e a preservação da mata e horizonte existente. A utilização de espécies nativas e materiais naturais reforça a identidade do projeto e promove conforto ambiental, sofisticação e bem-estar através de uma experiência de morar mais conectada à natureza.