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Pablo Slemenson fala sobre wellness, arquitetura e o Reserva Terra Roxa

Um dos nomes à frente da arquitetura do Reserva Terra Roxa, Pablo Slemenson inaugura a série de entrevistas do blog da Zacaria com os profissionais que assinam o empreendimento.
À frente da PSA Arquitetura, escritório que completa 30 anos de atuação, Slemenson tem trajetória ligada a projetos de referência no alto padrão, como o Parque Cidade Jardim, em São Paulo, e o Boa Vista Village, em Porto Feliz.
Nascido em Buenos Aires, em 1954, é arquiteto e urbanista pela FAU Mackenzie. Atuou no escritório Joaquim Guedes & Associados e integrou o corpo técnico do CONDEPHAAT, órgão paulista de preservação do patrimônio histórico e arquitetônico.
Na PSA, dirige o grupo de criação e participa do desenvolvimento de novos negócios. Nesta entrevista, ele fala sobre as mudanças no modo de pensar o luxo residencial, o conceito de wellness aplicado à arquitetura e as escolhas que orientaram o projeto do Reserva Terra Roxa.
Nos últimos anos, no segmento de alto padrão e luxo, o que mudou na maneira como as pessoas pensam o lugar onde querem viver?
Pablo Slemenson - Antes, o alto padrão era muito associado à ideia de status: endereço, metragem, acabamento. Hoje, isso virou premissa. O que realmente passou a importar é como aquele lugar sustenta a vida no dia a dia.
As pessoas começaram a escolher onde morar com uma lente mais ampla: qualidade do tempo, relação com a natureza, conforto emocional, possibilidade de desacelerar. A casa deixou de ser vitrine e passou a ser infraestrutura de vida.
Existe também um deslocamento do “ícone” para o “ambiente”. Menos arquitetura que se impõe, mais arquitetura que acolhe.
Quando se fala em wellness aplicado à arquitetura residencial, do que estamos falando de fato?
Pablo Slemenson - Wellness não é um conjunto de amenities com nome em inglês. É uma lógica de projeto. É pensar como luz, ventilação, escala, materialidade e relação com o entorno impactam o corpo e a mente de quem vive ali, todos os dias, deforma quase imperceptível.
Inclui, sim, programas como spa, academia ou áreas de contemplação. Mas o essencial está antes disso: na orientação solar correta, na ventilação cruzada, na presença real de natureza, na fluidez entre interior e exterior, na redução de ruído e estímulo excessivo. Wellness é quando o espaço trabalha a favor do equilíbrio, sem precisar se explicar.
Que demandas ou inquietaçõesdo morador contemporâneo ajudam a explicar esse movimento?
Pablo Slemenson - Esse movimento nasce de um certo cansaço. Cansaço da cidade acelerada, da hiperconectividade, da artificialidade dos espaços muito controlados. E, ao mesmo tempo, de uma consciência maior sobre saúde. Saúde física e mental.
O morador hoje busca refúgios em isolamento, contato com natureza sem abrir mão da cidade, silêncio sem perder convivência, privacidade com possibilidade de encontro. Há também uma valorização do tempo: espaços que permitam estar, não apenas passar.
Quais escolhas de arquiteturae urbanismo realmente contribuem para uma vida mais equilibrada no cotidiano?
Pablo Slemenson - Algumas escolhas fazem diferença real. A implantação deve respeitar o terreno, em vez de impor uma lógica artificial. Também é fundamental integrar o projeto à paisagem e aos sistemas naturais, como água, vegetação e vento. Escalas mais humanas, com transições suaves entre os espaços, contribuem para uma experiência mais equilibrada, assim como o uso de materiais verdadeiros, que envelhecem bem. As áreas comuns devem ser pensadas como extensão da casa, não como espetáculo, e os percursos precisam ser agradáveis, convidando ao caminhar.
No Reserva Terra Roxa, como owellness orientou as decisões de projeto?
Pablo Slemenson - No Reserva Terra Roxa, o wellness não foi uma camada adicionada, foi o ponto departida. O projeto nasce da leitura do lugar. A decisão de deixar a natureza como protagonista orienta tudo: o desenho acompanha o lago, os volumes são horizontais e fluidos, e a arquitetura se organiza como continuidade da paisagem.
As coberturas verdes, os grandes planos de vidro e a integração com o parque linear não são gestos formais, são mecanismos para trazer luz, ventilação e natureza para dentro da vida cotidiana. O Small Luxury Club é um bom exemplo disso. Ele concentra programa — spa, academia, convivência —, mas organizado em torno da água, criando uma experiência contínua entre interior e exterior, sem ruptura.
Talvez o mais importante: não há excesso. A materialidade é neutra, os gestos são contidos, e o projeto permite que o tempo — e não a arquitetura — seja o verdadeiro protagonista. No fundo, é isso que define o wellness bem aplicado: quando o espaço deixa de ser o centro e passa a ser suporte para uma vida melhor.