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Como o urbanismo favorece a qualidade de vida no Reserva Terra Roxa

O projeto urbanístico do Reserva Terra Roxa nasceu de uma leitura cuidadosa de seus mais de 178 mil metros quadrados, situados em uma localização rara que une a praticidade da cidade e a proximidade com serviços essenciais ao horizonte livre da natureza.

A área tem faixa de mata nativa e um relevo com variações de nível, características que, em vez de serem tratadas como obstáculos, foram incorporadas à concepção do empreendimento e valorizadas como qualidades da paisagem.

À frente do projeto, o arquiteto Gledson Marques de Castro desenhou um traçado inteligente que conecta vias, lago, parque linear e espaços de convivência de forma fluida. O planejamento foi minuciosamente pensado para valorizar a insolação e a ventilação natural de cada futura residência, garantindo uma relação orgânica com o entorno e oferecendo aos moradores uma rotina tranquila, segura e profundamente integrada à natureza.

Formado em Arquitetura em 1997, Gledson atua há quase três décadas e está à frente do Studio Castro Arquitetura, com sede em Dourados, no Mato Grosso do Sul. Sua trajetória reúne projetos residenciais, comerciais e urbanísticos marcados pela atenção à estética, à funcionalidade e à experiência de quem utiliza os espaços. Entre os trabalhos de destaque está o Hectares Park & Resort, também em Dourados.

Nesta entrevista, ele compartilha os bastidores da criação do  Reserva Terra Roxa e explica como um planejamento urbano primoroso é capaz de harmonizar privacidade, convivência e a proximidade com o verde no dia a dia.

Oque define um projeto urbanístico voltado ao bem-estar?

Gledson Marques de Castro - Um projeto voltado ao bem-estar vai além da organização dos lotes e das ruas. No Reserva Terra Roxa, nosso propósito foi criar um lugar onde as pessoas realmente vivam uma experiência de vida, e não apenas morem em um condomínio.

Pensamos em espaços que aproximassem as famílias da natureza, com terrenos mais amplos, áreas verdes generosas e ambientes que convidassem à caminhada, ao encontro e à contemplação.

O urbanismo passa a ser o cenário onde a vida acontece com mais qualidade.

Onde está o equilíbrio entre privacidade e convivência?

Gledson Marques de Castro - Esse equilíbrio nasce, sobretudo, de um projeto que, ao mesmo tempo, respeita o espaço de cada família e cria oportunidades para o convívio.

No Reserva Terra Roxa, favorecemos a privacidade familiar por meio de lotes maiores, que permitem a criação de lares de acordo com as intenções de seus moradores. Sem sacrificar essa privacidade, o parque linear, os percursos de caminhada, o lago e as áreas de convivência estimulam os encontros fora das residências.

Tudo isso acontece em meio à natureza, que, muito além de um elemento paisagístico, torna-se parte da rotina dos moradores.

Em outra frente de convívio, tivemos o cuidado de reservar, junto à mata, uma área destinada à contemplação e à espiritualidade, onde propusemos o espaço ecumênico.

Que papel as características do terreno tiveram na definição do traçado?

Gledson Marques de Castro - Quando fomos chamados para desenvolver o projeto, encontramos um terreno naturalmente rico. Preservar a mata existente foi uma prioridade e, por isso, quisemos torná-la o coração do empreendimento. Junto a ela, posicionamos o clube e os principais espaços de convívio e socialização.

Outro ponto de grande relevância é a topografia de Londrina. Suas curvas inicialmente nos pareceram desafiadoras, mas se tornaram grandes aliadas do projeto. Em vez de impor ao terreno um desenho artificial, buscamos compreender suas qualidades e dar força a elas.

Assim, o urbanismo surgiu de forma suave, acompanhando o relevo para favorecer a implantação das futuras residências e considerando aspectos importantes como insolação, ventilação e orientação solar.

O resultado são vias de desenho sinuoso, que fazem com que a bela paisagem natural do terreno seja revelada pouco a pouco. Isso torna cada trajeto uma experiência agradável e valoriza o conjunto urbanístico como um todo.

Como a integração entre os diferentes espaços do Reserva Terra Roxa foi pensada?

Gledson Marques de Castro - Nosso objetivo era criar um sistema no qual todos os espaços estivessem conectados visualmente e por seus usos. Algumas decisões tiveram destaque nesse processo, mas a concepção da avenida central foi o ponto-chave.

Pensada como a espinha dorsal do empreendimento, essa via organiza o fluxo de forma que o encontro com o lago se torna inevitável: todos passam por ele. A avenida também funciona como um eixo visual que conduz naturalmente o olhar até as águas.

O lago, por sua vez, organiza o parque linear e as atividades sociais. Essa relação de equilíbrio e conectividade pode se tornar um ponto marcante da identidade do empreendimento.

Você diz que o traçado urbano contribui para a tranquilidade e a segurança. De que maneira?

Gledson Marques de Castro - Essa experiência é uma prioridade em nosso urbanismo e jamais deixará de ser. Não seria diferente no Reserva Terra Roxa.

O traçado urbano foi pensado para proporcionar mais segurança aos pedestres. Por seu desenho sinuoso, as ruas induzem à redução da velocidade dos veículos, aumentando a segurança de quem caminha, especialmente das crianças.

O parque linear, além de oferecer um espaço de caminhada, também colabora com a segurança. Ao circundar todo o empreendimento, a pista afasta os lotes do perímetro do condomínio e cria uma área de descompressão. Isso favorece uma melhor visibilidade dos muros, tanto para os moradores quanto para a vigilância eletrônica.

Somados a isso, a pista de caminhada e os demais espaços de convívio convidam as pessoas a sair de casa, ampliando a presença dos “olhos da rua”. O conceito, desenvolvido por Jane Jacobs, defende que a segurança dos bairros também derivada vigilância natural exercida pelos próprios moradores.

Ao incentivar as pessoas a ocupar os espaços do empreendimento, o projeto fortalece ainda a sensação de pertencimento e o bem-estar necessários a uma vida tranquila em comunidade.